Todo ano, a cobertura do Carnaval brasileiro se concentra em dois ou três eventos: o desfile das escolas de samba do Rio, o Carnaval de Salvador com seus trios elétricos, e, nos últimos anos, o Carnaval de Olinda e Recife. O resto do país, que também faz Carnaval — e muito — fica de fora.

Mas o Carnaval brasileiro é imenso e diverso. Cada região tem suas tradições, seus ritmos, suas formas específicas de celebrar. E muitas dessas manifestações são tão ricas quanto as que aparecem na televisão — só que sem câmeras.

O Carnaval do Interior

Nas cidades do interior de Minas Gerais, o Carnaval de rua tem uma tradição centenária. Blocos como o Boi Tolo de Belo Horizonte, o Então Brilha de Ouro Preto e dezenas de outros em cidades menores reúnem multidões que dançam marchinhas, sambas e músicas locais.

No Nordeste, além do frevo pernambucano e do axé baiano, há o maracatu, o coco, o forró — cada um com sua forma específica de entrar no Carnaval, misturando-se com outros ritmos de maneiras que variam de cidade para cidade.

A Resistência Cultural

Há algo de resistência cultural nessas manifestações. Num mundo onde a cultura tende à homogeneização — onde os mesmos artistas tocam nas mesmas plataformas para audiências globais —, o Carnaval de interior insiste em ser local, específico, irredutível à lógica do produto cultural exportável.

Isso não significa que seja melhor ou pior do que o Carnaval que passa na TV. Significa que é diferente — e que essa diferença vale a pena conhecer.